
"Valter Hugo Mãe alia lirismo refinado e sátira feroz para criar uma fábula indispensável sobre o nosso tempo." - Expresso
Em O século dos imbecis, o celebrado escritor Valter Hugo Mãe constrói uma fábula alegórica mordaz e arrebatadora sobre as contradições, os vícios e os raros lampejos de virtude do espírito humano. No cume de montanhas imponentes ergue-se a Malandrinha, palacete faustoso que governa a paisagem e o imaginário de uma pequena comunidade. Ali reside Agilulfo, o singular Marquês da Malandrinha, acometido por uma condição tão fantástica quanto reveladora: quanto mais desce rumo ao nível do mar, mais sua inteligência se esvai no torvelinho da estupidez; quanto mais ascende às encostas, mais límpido, genial e lúcido se torna seu raciocínio.
Cercado por serviçais atentos, nobres apegados a velhas aparências e aldeões fascinados, o excêntrico Marquês converte-se no epicentro de uma teia intrincada de disputas veladas e anseios inconfessáveis. Conforme a dinâmica ao redor do palacete se desenrola, os moradores daquele microcosmo oscilam entre a inveja corrosiva, a adulação interesseira e a mais crua vaidade, expondo a fragilidade de suas certezas e a facilidade com que o convívio social descamba para o absurdo.
Com sua prosa poética inconfundível aliada a um humor afiado e irônico, Valter Hugo Mãe desconstrói as ilusões de grandeza de uma época marcada pelo excesso e pelo culto à ignorância. Esta obra firma-se como um espelho implacável do mundo contemporâneo e um apelo sensível à empatia, convidando o leitor a refletir sobre os valores que ainda nos sustentam.
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